História Colectiva

 

 

 

Durante o ano lectivo de 2007/2008, as escolas do 1.º Ciclo desenvolveram uma actividade que consistiu na construção de uma história, que teve início num determinado estabelecimento e que passou depois por todas as outra escolas, até ser concluída.

(EB1/JI Francelos - Janeiro)

Na Quinta do Roseiral, viviam o Pedro e a Joana, que eram irmãos gémeos.

Nessa quinta havia um grande jardim onde cresciam rosas maravilhosas de cores variadas e com um perfume que atraía abelhas e borboletas. Era lá que a avó dos meninos, com uma tesoura e um regador, passava as suas tardes.

Além do jardim, a quinta tinha grandes campos onde se cultivava, ao longo do ano, toda a variedade de cereais. Também tinha um grande estábulo, onde nasciam e cresciam bois, vacas, cavalos...

Todos os dias, o avô, com os seus empregados, tratava da quinta; era um gosto ver os campos cultivados.

O Pedro e a Joana andavam na escola, como todos os meninos da sua idade. Nas horas livres e nas férias eles ajudavam os avós a cultivar os campos, a cuidar os animais e a tratar do jardim.

Certo dia, ao almoço, o Pedro reparou que o avô estava muito preocupado e perguntou-lhe:

- Avô, porque está tão pensativo?

- Sabes Pedro, esta noite, possivelmente, vai nascer, no nosso estábulo

um cavalinho. O veterinário não está cá e como é domingo os empregados não trabalham. Não tenho quem me ajude, não sei o que fazer.

- Avô, deixe-me ajudá-lo!

 

(EB1 de Igreja-11 Fevereiro)

 

O avô respondeu:

 - Está bem.

 E lá foram eles ao estábulo observar a égua. Ela estava nervosa, aflita, atrapalhada e a sofrer.

 Em casa, na cozinha, a Joana e a avó estavam a ficar preocupadas com a demora do Pedro e do avô.

 Resolveram ir ver o que se passava.

 À chegada ao estábulo, a avó e a Joana ficaram radiantes com o cenário que viram.

 - Olha Joana, está a acontecer um milagre!

 - Avô, Pedro! Acor-dem! O potro está a nascer sem que ninguém lhe preste auxílio!

 Os dois tinham adormecido de tanta espera.

 O avô e o Pedro ao acordarem, ficaram espanta-dos e radiantes de alegria por verem tal acontecimento. En-tão, eles pegaram no potro e colocaram-no junto da mãe para mamar.

 O potro tinha pêlo castanho escuro, olhos negros e patinhas brancas. Mostrava ser brincalhão, activo, alegre e corajoso.

 - Temos que lhe dar um nome! – exclamaram o Pedro e a Joana.

 

(EB1/JI B. Sucesso - 21 de Fevereiro)

O Pedro teve logo uma ideia e disse-a em voz alta:

- Xisto! - gritou ele.

- Não está mal pensado! - exclamaram os avós.

- Não estou de acordo e digo-vos já porquê. - respondeu a Joana.

- Vocês esqueceram-se que as patas do potro são brancas? O que eu sei é que o xisto é todo escuro, quase preto e não castanho, como a cor do nosso potro.

-Calma crianças. Isto não é motivo para se zangarem, disseram os avós dos gémeos. Vamos lá ouvir a Joana dizer o nome que mais gosta, para o nosso cavalinho.

- Trovão!?!?

- Pode ser. – respondeu o Pedro muito feliz.

As crianças emocionadas com o novo ser, correram para o telefone para comunicar aos seus pais a brilhante notícia.

Luís e Matilde, pais dos meninos que viviam na cidade de Faro, viajaram nesse mesmo dia ao final da tarde, para a quinta do Roseiral que ficava no interior do Alentejo.

Começou o Verão e agora o cavalo já não era um potro. Ele já saltava, trotava e alimentava-se de ervas fresquinhas dos prados verdejantes. Era mais forte, robusto e sabia cuidar de si próprio.

 

 

(EB1 da Vila - Abril)

 

Mas certo dia o Trovão ficou doente e os dois irmãos ficaram aflitos e foram chamar o avô.

Avô! Avô!O Trovão não se mexe. Abrimos a porta do estábulo e ele nem olhou para nós!

O avô disse:

- Vamos lá ver o que se passa meninos.

Quando o avô olhou para o Trovão viu que ele estava muito triste e muito parado.

- Pois, meninos têm razão ele está mesmo doente, mas vamos ter um problema!

- Que problema avô?

- É que hoje, é Sábado e não temos veterinário disponivel, próximo da nossa quinta.

- Tive uma ideia, avô! Nós conhecemos um veterinário e tu também o conheces. É o João, o amigo dos nossos pais que vive em Faro.

- Boa ideia Joana! Vai lá a casa e diz à tua mãe para ligar aos amigos para virem passar o fim-de-semana à quinta do Roseiral e assim observa o Trovão.

Nessa tarde chegam à quinta, os amigos de Faro (o João, a mulher Rita e a sua filha Sara). Dirigiram-se ao estábulo na companhia do avô e o João observou o Trovão.

- Podem estar descansados, o vosso amigo Trovão não tem nada de grave. Vou fazer-lhe o curativo e amanhã estará óptimo – disse o veterinário.

No Domingo, logo de manhãzinha, o Pedro, a Joana e a amiga Sara, mesmo antes de tomar o pequeno-almoço dirigiram-se ao estábulo e ficaram espantados. O seu amigo Trovão não estáva lá!

As crianças  ficaram muito preocupadas e foram chamar o avô.

E o avô disse-lhes:

- Não se preocupem meninos, porque quando vocês estavam a dormir, eu fui ao estábulo e ele estava em pé, já recuperado. Então, achei que já estava bom e deixei-o ir passear pela quinta abrindo-lhe a porta do estábulo.

- Ó avô, será que ele volta?...

 

(EB 1 de Oleiros – Abril)

 

- Claro que sim, meninos – respondeu o avô. Não se preocupem. Não tarda aparece aí.

Os três amigos foram tomar o pequeno-almoço, mas não estavam muito sossegados. Então, em pezinhos de lã, saíram para o pátio e estenderam os seus olhos pelos extensos prados que rodeavam a Quinta do Roseiral.

Avistaram alguns dos animais da quinta. Viram a vaca Mimi com o seu bezerro, viram os cavalos e as éguas do avô, habituais parceiros de brincadeira do Trovão, mas dele nem sinal.

- Vamos até à azenha do tio Tino – sugeriu o Pedro. Lá há um prado de erva fresca que o Trovão gosta muito.

- Vamos! - concordaram entusiasmados as duas amigas. E desataram a correr naquela direcção. Passaram pela avó, que estava a retirar os ovos do galinheiro, e disseram-lhe que iam procurar o Trovão.

Depressa chegaram à azenha e a Sara exclamou:

- Que lugar fantástico! Parece saído de uma história de encantar!

- É realmente encantador! - concordou a Joana.

- Deixem-se lá de conversas – interrompeu o Pedro. Já esqueceram o que viemos aqui fazer?

- Vamos perguntar ao tio Tino se viu o Trovão? - sugeriu a Joana.

Encontraram o tio Tino, que lhes disse que o viu a dirigir-se para o riacho. Encaminharam-se para lá e encontraram o Trovão a beber. Ao chegar junto dele, repararam que tinha uma pata ferida. Resolveram levá-lo até à quinta para que o pai da Sara o observasse. Coxeando, o Trovão conseguiu chegar ao estábulo com a ajuda das crianças.

O pai da Sara, o veterinário João, examinou a pata do Trovão e imobilizou-a, dizendo que o animal precisava de descansar.

Anoiteceu, e os três amigos, cansados desta aventura, adormeceram cedo. De madrugada, acordaram sobressaltados com os gritos:

- Incêndio! Incêndio no estábulo!

Levantaram-se rapidamente, preocupados com o Trovão.

Será que vão conseguir salvá-lo?

 

 

(EB1 de Sobral – Cervães - Abril)

Todos ficaram a pensar, com muito medo, se o Trovão ia ser salvo.

O Pedro perguntou, com medo:

- Como vamos ajudar o Trovão a sair dali?

O Pedro e a Joana disseram ao avô que devia chamar o seu vizinho Carlos, que era bombeiro, que ele viria com os seus colegas do quartel.

Enquanto os bombeiros não chegavam o avô e os netos resolveram tentar apagar o fogo e salvar o Trovão. O avô entrou no estábulo para tirar o Trovão mas, como o avô estava a demorar todos começaram a ficar preocupados. Algum  tempo depois ouviu-se uma voz a gritar:

- Consegui! Consegui!

Quando o viram sair do estábulo ficaram contentes e repararam que o cavalo estava assustado. O veterinário João foi observá-lo e disse:

- Está tudo bem! Só está assustado.

Entretanto os bombeiros apagaram o fogo e todos puderam descansar tranquilamente.

Os dias foram passando e tudo voltou à sua vida normal, o cavalinho pastava muito feliz nos campos verdejantes da quinta na companhia dos seus amigos.

Como era muito brincalhão, irrequieto e curioso também gostava de se meter em grandes aventuras.

Até que um dia, o Trovão resolveu entrar numa floresta desconhecida.

Dois homens que passavam por lá viram-no perdido e disseram um para o outro:

- Que cavalo tão bonito! Vamos levá-lo para casa?

Resolveram levá-lo para a sua aldeia .

Na quinta, todos estavam aflitos e procuraram o Trovão dias e dias. Com o decorrer dos dias começaram a perder a esperança de o encontrar.

O Pedro e a Joana perguntaram ao avô muito aflitos:

- Será que iremos ver novamente o Trovão?

 

 

(EB 1 de Visage – Maio)

 

Entretanto, na aldeia, o Trovão tentava desesperadamente escapar e livrar-se da corda que os dois homens tinham lançado ao seu pescoço.

O cavalo dava coices, esperneava para poder livrar-se daquela grande corda que tanto o incomodava. Apesar de todo o seu esforço não conseguiu libertar-se de tão pesada prisão.

Francisco e Paulo, assim se chamavam os homens, eram dois artistas de circo. Levaram o Trovão para a tenda e resolveram falar com o dono do circo para resolver o que iriam fazer com aquele cavalo tão bonito. Pela manhã, bem cedinho, ele foi ver o animal juntamente com os domadores. O grupo de artistas achou-o fantástico e o dono do circo sugeriu aos domadores que o treinassem. Eles precisavam de mais um cavalo porque não tinham o número suficiente para o seu espectáculo. Este devia ser fácil de treinar e, como era mais bonito do que os outros, atrairia mais espectadores ao circo. Todos concordaram com a ideia e os treinos começaram.

O Trovão, sem entender o que tinha acontecido, não deixava de pensar na sua família e nos seus amigos.

Entretanto, na quinta do Roseiral, andava tudo atarefado à procura de alguma pista que conduzisse até ao Trovão mas,…nada. Parecia que o cavalo tinha evaporado.

 Passado algum tempo, o Pedro descobriu um cartaz a anunciar um espectáculo de circo. Que bom! Há tanto tempo que não iam ao circo!

O avô decidiu ir com o Pedro e com a Joana assistir a esse espectáculo. No dia seguinte foram todos ao circo.

O espectáculo começou com muita animação, alegria e palmas.

Assistiram à actuação de vários artistas e, já perto do final, entraram seis lindos cavalos na pista para apresentar as suas habilidades.

 O coração do Pedro começou a bater com muita força, o da Joana quase parou e o do avô deu um grande salto. Nem queriam acreditar! Estariam a sonhar? Aquele cavalo, mesmo enfeitado, era tão parecido com o Trovão!...          

       

(EB 1 / JI de Cabanelas - Junho)

 

Avô! Avô! É o Trovão! – Gritou o Pedro. O cavalo que parecia o Trovão olhou para o público e, ao ver os seus amigos começou a relinchar, mas como estava pintado com cera branca para disfarçar a sua cor natural, não havia certezas de que era mesmo ele. Só que os olhos não enganavam: eram negros, alegres e corajosos como os do Trovão. O Pedro e a Joana queriam entrar logo na arena e tirar as dúvidas todas. No entanto, o avô pediu-lhes para terem calma.

Com o decorrer do exercício, que o Trovão apresentava de uma forma bastante profissional, começou a transpirar fazendo a cera escorrer e foi aparecendo o seu belo pelo castanho-escuro. Então o Pedro olhou rapidamente para as patas do cavalinho e lá estava: eram brancas iguais às do Trovão. Já não havia dúvidas! Era o Trovão!

Os gémeos entraram na arena e provocaram uma grande confusão. Os cavalos, assustados, desataram a correr. As pessoas fugiam com medo de serem calcadas. O Trovão reconheceu os meninos e o avô. Saltando de alegria foi ter com eles. Finalmente estava de volta à sua família. Os domadores assistiram àquela cena e não gostaram nada do que estavam a ver. Pegaram nas cordas e tentaram prender o Trovão, mas como ele era muito ágil conseguiu escapar. Temendo que alguém se magoasse o avô tentou falar com os domadores:

- Este cavalo, que aparecia no espectáculo, é muito parecido com o meu Trovão que foi levado da Quinta do Roseiral por desconhecidos. Será que podemos confirmar?

Os domadores responderam, agressivamente, que não deixavam ver o cavalo dizendo que não havia provas de que assim fosse. Além disso só o dono do circo podia tratar do assunto, mas não estava porque tinha viajado.

Entretanto, com aquela confusão, chegou a polícia que disse exactamente o mesmo: sem provas o cavalo não poderia ser devolvido ao avô. 

De repente, a Joana exclamou:

- Vamos a casa buscar umas fotografias que tirámos com ele!

Pelo caminho, os dois irmãos puseram-se a imaginar um plano se a polícia não acreditasse neles e devolvesse o Trovão. Durante a noite, enquanto os domadores dormiam, podiam entrar no circo às escondidas e recuperar o cavalo. O Pedro já os estava a imaginar, vestidos de preto a entrar nas tendas, com um gancho do cabelo da Joana, abrir a porta da jaula e saírem de lá a correr. Seria uma aventura espectacular!

De regresso com as fotografias provaram que aquele cavalo era, na verdade o Trovão. Então a polícia obrigou os domadores a entregá-lo aos seus verdadeiros donos e prendeu os dois ladrões.

 Foi uma alegria! Quando chegaram à Quinta do Roseiral, os gémeos chamaram a avó e os pais para lhes mostrar a surpresa. Telefonaram aos seus amigos de Faro para lhes contarem aquela boa notícia. Estavam todos entusiasmados, mas o avô achou que o Trovão parecia muito assustado com aquela experiência e achou melhor chamar o veterinário que lhe recomendou muito descanso.  

No dia seguinte o Trovão estava melhor e já corria, cheio de alegria e em liberdade, à volta da Quinta do Roseiral. Sentia-se muito feliz na companhia da sua família e não se afastava, pois tinha medo que alguém o levasse. Todos estavam satisfeitos por terem o Trovão de volta, mas atentos aos seus movimentos naqueles campos verdejantes.

Um ano depois o avô, ao alimentar os cavalos, reparou em algo de diferente no estábulo. O Trovão estava apaixonado pela linda égua Arco-íris, com quem acasalou, tendo nascido um bonito potro. 

Ao álbum de recordações, que os gémeos organizaram, deram o título AS AVENTURAS DO TROVÃO. 

 

 

 

FIM